Enredo pró-Lula custou R$ 9,6 mi e envolveu agendas no Planalto
Escola recebeu recursos públicos, promoveu homenagem ao presidente e acabou rebaixada no carnaval
A escola Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 9,6 milhões em recursos públicos para apresentar um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval 2026 do Rio de Janeiro. Além disso, representantes da agremiação participaram de reuniões no Palácio do Planalto com integrantes do governo federal. O caso ganhou repercussão porque envolveu verba pública, agendas oficiais e um desfile que terminou com o rebaixamento da escola para a Série Ouro.
Recursos públicos para o desfile
A Acadêmicos de Niterói captou aproximadamente R$ 9,6 milhões por meio de repasses de diferentes esferas de governo. A prefeitura de Niterói, o governo do estado do Rio de Janeiro, a prefeitura do Rio, por meio da Riotur, e órgãos federais participaram do financiamento.
Enredo pró-Lula custou R$ 9,6 mi e envolveu agendas no Planalto
Foto: Divulgação / Escola de Samba Acadêmicos de Niterói
Assim, a escola estruturou um desfile grandioso, com carros alegóricos, fantasias elaboradas e uma narrativa centrada na trajetória política de Lula. No entanto, o volume de recursos e o tema escolhido ampliaram o debate sobre o uso de dinheiro público em homenagens a autoridades em exercício.
Agendas no Palácio do Planalto
Além do financiamento, o presidente da escola, Wallace Palhares, esteve no Palácio do Planalto em outubro de 2025 para reuniões oficiais. Ele se encontrou com autoridades do governo, entre elas a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
Ao mesmo tempo, a primeira-dama Janja da Silva visitou a quadra da escola em duas ocasiões. Em uma delas, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também participou do ensaio. Essas agendas, portanto, reforçaram a visibilidade institucional do projeto.
Rebaixamento na avenida
Apesar do investimento e da repercussão política, a Acadêmicos de Niterói não alcançou boa avaliação dos jurados. A escola somou a menor pontuação do Grupo Especial e acabou rebaixada para a Série Ouro.
Consequentemente, o resultado gerou ainda mais questionamentos. Críticos apontaram possível confusão entre cultura e promoção política. Já defensores argumentaram que os repasses seguiram regras previstas para o financiamento do carnaval e que outras escolas também receberam verbas públicas.
Debate sobre cultura e política
O episódio reacendeu uma discussão antiga no país. Afinal, até que ponto o financiamento público de eventos culturais pode se associar à imagem de autoridades? Por um lado, o carnaval movimenta a economia e preserva tradições. Por outro, quando o enredo exalta um presidente em exercício, a crítica política se intensifica.
Agora, o caso deve continuar no radar do debate público, sobretudo porque envolve dinheiro público, articulação institucional e repercussão eleitoral. No centro da avenida, portanto, não desfilou apenas uma escola de samba. Desfilou também uma discussão sobre limites entre cultura e política.

















