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O cristianismo delineou e compõe o pensamento ocidental. Sobram formulações cristãs para quem têm o gosto de julgar e a pretensão de julgador. A cristandade, pois, deveria levar em conta seus próprios preceitos: “Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós” (Bíblia, Mateus: 1-2). “Quem estiver sem pecado atire a primeira pedra” (Bíblia, João: 3-11). Há outras tantas recomendações, dentre elas aprecio uma que sugere a cada um enxergar-se melhor e preocupar-se menos em enxergar o outro. São orientações de condescendência.

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Como é sabido, isso nunca foi assim. Não foi no mundo laico e não foi no universo das práticas religiosas do Ocidente. Aliás, muito menos nessa Tradição. No transcorrer da História, os que fazem profissão de fé ao sagrado, indivíduos ou instituições, têm sido sectários, intolerantes, vingativos. Seus códigos de conduta falam sempre no imperativo, e a consequência à desobediência, quando não foi tortura e morte, é o drástico castigo de queimar para todo o sempre nos fogos do inferno, e cheirando enxofre, que deve ter odor horrível, para compor pena tão extrema.

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Como tenho dúvidas entre as opções céu e inferno, desimportam-me as imprecações que me sejam dirigidas por desobediência. O inferno não deve ser coisa fácil, mas, seguramente, os pecadores e as pecadoras mais ardentes estarão lá. Já no céu, e isso me atemoriza mais que o possível desconforto infernal, receio encontrar os enxeridos carolas que me aporrinharam a adolescência com suas admoestações. Hipocrisia. O cristão compenetrado sabe do que falo: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão” (Bíblia, Mateus: 7:5).

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Aliás, o que mesmo me preocupa é que no transcorrer dessa boa vida terrena continuemos importunados pelos censores de tudo de todos, todos os dias, em todas as circunstâncias: sentenciosos em casa, no namoro, no trabalho, na diversão, no trânsito, na escola. Esses tipos investigam, acusam e julgam. Gente assim confunde sua causa com ela mesma, então, pressupostamente, o outro está errado. A vítima da sua certeza, além de suportar suas terminações, tem que tragar a empáfia da sua prédica. Essa má postura tem causas.

Somos capturados por ideologia, obedecemos, sem crítica, a sistemas de ideias dogmaticamente impostos; somos idiossincrasia, apetecemos dispor as coisas conforme o nosso modo pessoal de entendê-las; somos apriorísticos, chegamos com certezas definidas; somos neuróticos, sabotamos possiblidades com os gritos dos nossos medos. Não raras vezes, somos uns titicas de uns chatos malsucedidos e desagradáveis. A respeito desses temas ingratos, Andressa Goulart Crossetti escreveu (editado):

“Qualquer julgamento acaba sendo opressor e excludente. Para julgar, deve-se perguntar: quais os critérios de valor fundamentam a sentença? Eu sonhei um mundo com menos julgamentos e mais compreensão; empatia ativada. Ainda é impossível viver sem julgamentos e acusações, afinal, a vida social é permeada de regras para ajustes da vida comunitária, e a vida individual é repleta de escolhas que passam por nosso juízo. Quais são seus critérios ao fazer escolhas? Critérios organizam e classificam as impressões do mundo”. É isso: grandes princípios são construções ideais complicadas, mas alguns critérios para levar a vida são práticos e fazem bem.

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