Praia do Rosa lotada, em Imbituba. Não havia fiscalização
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O clima de descontração registrado em vídeos que circulam nas redes sociais denunciando aglomerações irregulares em Santa Catarina pode ser substituído por uma triste realidade. Nas próximas semanas, estimam especialistas, a tendência é de aumento no número de infectados pelo coronavírus, assim como o de internações de doentes graves.

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Com mais de 80% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados no Estado, a preocupação também se dá sobre a capacidade de atender todos os doentes.

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As aglomerações registradas em Santa Catarina no fim do ano ganharam repercussão nacional. Algumas das imagens foram divulgadas pelo perfil ‘brasilfedecovid’, que reúne denúncias de festas durante a pandemia. De acordo com o administrador da conta, a maioria dos flagrantes recebidos são de SC, que ficou à frente de Rio de Janeiro e Bahia, também requisitados na temporada de verão.

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Reflexo das aglomerações
A preocupação dos especialistas com as aglomerações registradas se dá em função das consequências diretas dessas ações. Para o doutor em Epidemiologia e reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Curi Hallal, o reflexo deve ser sentido primeiro no aumento dos casos, depois nas internações e, por fim, nas mortes.

— A primeira coisa que acontece quando a gente passa do ponto, ou seja, quando acontecem aglomerações que não deveriam, de cinco a sete dias depois começam a aumentar os casos. Porque muita gente se contamina naquele dia e muita gente contamina outras. Depois na segunda semana, começa a bombar hospitalização, porque alguns dos casos, principalmente os que vão evoluir para algo mais grave, demoram umas duas semanas para isso acontecer. Na terceira semana, infelizmente, aumentam os óbitos — explica Hallal.

O reitor diz que o risco de colapso aumenta ainda mais em função dos reflexos das festas de fim de ano se somarem às aglomerações registradas em praias. O fato pode acarretar um aumento exponencial de casos de forma rápida, o que pioraria o cenário da pandemia.

— Não era para estar acontecendo essas festas. Não é para ter festa de 30 a 40 pessoas neste verão. […] Os jovens podem não ter quadros graves, mas os pais deles, os avós deles tem. São 200 mil pessoas que morreram no Brasil até hoje, então é uma falta de consideração com essas pessoas quando os jovens acham que é essencial ter uma balada — completa.

A infectologista Sabrina Sabino alerta ainda para o risco da falta de leitos de UTI. Segundo ela, a média móvel de casos estava estabilizando, atingindo o platô. Contudo, com os possíveis novos casos decorrentes das aglomerações de fim de ano, Santa Catarina deve ter um pico de casos nas próximas duas semanas.

— O que pode acontecer agora é que ela pode ter nas próximas duas semanas um leve pico e depois ela vai manter o platô. Ao invés de sairmos da nossa curva de ascendência, vamos manter por um período maior. Nós já estamos sem leitos em algumas cidades, então [a falta de] leitos de UTI vai ser o nosso grande problema — afirma a infectologista que integra a Sociedade Brasileira de Infectologia.

Na avaliação dela, ainda estamos longe de uma ‘vida normal’, que dependeria da vacinação de pelo menos 70% da população para ser alcançada. Enquanto isso, define Sabino, é necessário que se mantenham as medidas de distanciamento social, uso de máscaras e de álcool em gel, algo que parece ter se perdido:

— As pessoas perderam o medo e o respeito da Covid-19. Acham que estão imunes porque já tiveram, só que esquecem que para os próprios familiares deles pode não ser uma gripezinha e pode levar para a UTI. E aí qual é o problema? Não adianta você ter convênio ou ter dinheiro para pagar uma internação hospitalar particular porque não vai ter leito.

O Chefe do departamento de Saúde Pública da UFSC, Fabrício Menegon, afirma que o risco de contaminação em baladas é altíssimo e tem impacto direto no aumento de casos da Covid-19 no Estado.

— É um equívoco pensar que numa festa onde você tem um grupo grande de pessoas, mesmo que seja feita ao ar livre, você está imune ao contágio. Isso é um equívoco brutal, impulsionando muito fortemente as curvas de contágio aqui no Estado e no Brasil inteiro — comenta.

Segundo ele, os protocolos sanitários não resolvem o problema de contágio, mas os amenizam. Menegon diz ainda que o cenário da pandemia enfrentado atualmente é reflexo da permissividade das gestões governamentais, que têm um posicionamento dúbio sobre as medidas de restrição.

Flagrantes de aglomeração no fim de ano
Cenas divulgadas pelo perfil anônimo ‘brasilfedecovid’ mostram aglomerações em Florianópolis, Porto Belo e Itajaí no fim de ano. Flagrantes semelhantes também foram registrados em Balneário Camboriú, por exemplo, durante o réveillon. Além de centenas de pessoas na orla da Praia Central, imagens que circulam nas redes sociais mostram que houve festas sem distanciamento em casas noturnas.

​Em Garopaba, no Sul do Estado, mais flagrantes de irregularidades. Sem máscaras e distanciamentos, os veranistas tiveram que ser dispersados pela Polícia Militar. A região próxima, na Praia do Rosa, em Imbituba, registra aglomerações desde o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. De lá para cá foram adotadas medidas para tentar evitar os descumprimentos por parte da prefeitura, mas ainda há notificações de descumprimento.

Fonte: Catarina Duarte/DC/NSC Total

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