Fotos: Vinícius Duarte/Gecom
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Anunciante do CNT

Tubarão deu nesta sexta-feira (24 de abril de 2026) um passo concreto e inédito no cuidado com os animais e na proteção da saúde pública. A Prefeitura assinou um convênio com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) para a realização do primeiro censo de cães e gatos do município — com foco especial nos animais em situação de rua. O que parece uma medida técnica esconde, na prática, uma mudança profunda na forma como Tubarão vai lidar com a questão animal a partir de agora.

Um problema invisível prestes a ganhar nome e número

Quantos animais errantes existem em Tubarão? Em quais bairros estão concentrados? Qual é o estado de saúde deles? Hoje, ninguém tem essa resposta — e é exatamente aí que mora o problema. Sem dados, qualquer política pública se torna um tiro no escuro.

O convênio firmado entre o município e a UniSul vai mudar esse cenário. O objetivo do censo é mapear a população animal da cidade, identificando a quantidade, a distribuição por bairros e as condições de saúde de cães e gatos — especialmente os que vivem nas ruas. Com essas informações em mãos, o município poderá agir com muito mais precisão: ao encontrar um animal em situação de rua, será possível encaminhá-lo diretamente para castração e vacinação, sem improviso e sem desperdício de recursos.

O coordenador do Programa Bem-Estar Animal, Graziel Ramos, resume o que está em jogo: “Hoje não temos dados concretos sobre a população de animais de rua. Com esse censo, vamos conseguir aplicar políticas públicas mais certeiras, tanto para o bem-estar animal quanto para a saúde pública.”

A tríade que vai transformar a relação da cidade com os animais

A iniciativa não se resume ao levantamento de dados. Ela faz parte de uma estratégia estruturada em três frentes complementares, desenvolvidas em parceria com o curso de Medicina Veterinária da UniSul:

Censo animal — mapeamento completo da população de cães e gatos, com foco nos animais errantes;

Programa de castração — ações direcionadas com base nos dados levantados, garantindo mais eficiência e alcance;

Educação nas escolas — envolvimento da comunidade desde a base, formando uma cultura de responsabilidade com os animais.

A coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniSul, professora Carla Jovania Pereira, destaca o valor dessa união: “Essa tríade de castração, censo e educação nas escolas visa principalmente à saúde pública dentro do município e também o envolvimento da comunidade.”

Quem esteve na assinatura do convênio

A cerimônia de assinatura contou com a presença do prefeito Estêner Soratto, do vice-prefeito Denis Matiola, do diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente, Fabrício da Silva Pedro, do coordenador do Programa Bem-Estar Animal, Graziel Ramos, além de representantes da universidade e profissionais diretamente envolvidos no projeto.

O prefeito Estêner Soratto reforçou o compromisso da gestão com ações baseadas em evidências: “Esse é um trabalho fundamental para que possamos avançar com políticas públicas mais eficientes, garantindo o cuidado com os animais e também a proteção da saúde da nossa população.”

Planejamento no lugar do improviso

O professor e coordenador do Centro de Pesquisa e Triagem de Animais Silvestres (CEPTAS) da UniSul, Rodrigo Ávila Mendonça, explica o impacto direto do censo nas ações de castração: “O censo de cães de rua vem com o intuito de sabermos exatamente quantos animais nós temos hoje no município que são errantes, para que a Prefeitura possa traçar estratégias e fazer o controle populacional com as castrações bem direcionadas.”

Controle populacional, prevenção de zoonoses, redução do número de animais nas ruas e proteção da saúde humana. Os benefícios se conectam em cadeia — e tudo começa com dados.

Por que essa iniciativa é relevante para toda a cidade

O excesso de animais em situação de rua não é apenas uma questão de bem-estar animal: é um problema de saúde pública. A presença de cães e gatos errantes está diretamente associada à transmissão de doenças como raiva, leishmaniose e leptospirose. Ao investir em censo, castração e educação de forma integrada, Tubarão adota um modelo que especialistas consideram o mais eficiente para o controle sustentável da população animal urbana.

O convênio com a UniSul posiciona o município como referência regional nessa área — e sinaliza que as políticas para a causa animal em Tubarão deixaram de ser reativas para se tornarem planejadas, contínuas e baseadas em ciência.

Fotos: Vinícius Duarte/Gecom

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