De Pai a Instrutor: Como Ademir Ramos Dias Transforma Jiu-Jitsu em Inclusão em Tubarão
Um faixa-preta descobre na paternidade atípica a força para criar um espaço verdadeiramente acolhedor — e agora publica livro que revoluciona o conceito de esporte adaptado
O faixa-preta Ademir Ramos Dias transformou sua vivência como pai de crianças neurodivergentes em um projeto pioneiro de jiu-jitsu inclusivo em Tubarão. Com 13 anos de prática na arte marcial e uma perspectiva renovada sobre inclusão social, Ademir criou uma metodologia inovadora que combina técnicas de jiu-jitsu com conhecimentos de neurociência e práticas inclusivas — agora compilada no livro Jiu-Jitsu Integrativo: O Uso do Jiu-Jitsu como Ferramenta de Inclusão.
A Necessidade que Virou Missão
Foram os desafios enfrentados na paternidade atípica que abriram os olhos de Ademir para uma lacuna importante no ensino das artes marciais. Ao observar as limitações do modelo convencional de treinos — que raramente conta com estruturas adaptadas para pessoas neurodivergentes — o instrutor percebeu uma oportunidade real de transformação.
“Vi uma necessidade urgente de tornar o esporte verdadeiramente inclusivo. Criei um espaço com ambiente sensorial pensado especificamente para crianças neurodivergentes, além de uma sala dedicada à autorregulação emocional”, explica Ademir.
Inovação na Técnica e no Espaço
A academia Alliance Jiu Jitsu em Tubarão tornou-se laboratório vivo dessa transformação. Além das adaptações físicas do local, Ademir desenvolveu técnicas específicas que estimulam o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças com diferentes neurotipologias — promovendo ganhos mensuráveis em coordenação motora, foco atencional e integração social.
O diferencial está em não apenas “adaptar” a prática, mas em reconhecer que cada criança, adolescente ou adulto neurodivergente tem uma forma única de aprender e crescer.
Do Chão da Academia ao Livro

O sucesso alcançado na academia inspirou Ademir a sistematizar sua experiência em forma de livro. Jiu-Jitsu Integrativo vai além do relato pessoal: apresenta uma visão integrada do ser humano, conectando os princípios tradicionais da arte marcial aos conhecimentos da neurociência, educação e práticas inclusivas.
A obra destaca como o movimento pode se tornar uma ferramenta poderosa de aprendizagem, inclusão e construção de autonomia — acessível a crianças, adolescentes, adultos e pessoas neurodivergentes que, em modelos convencionais, teriam sido excluídas.
Um Espaço Pensado para Todos
A imagem captada durante os treinos em Tubarão retrata exatamente essa filosofia: jovens alunos de diferentes perfis, lado a lado com seu instrutor, segurando o símbolo visual do projeto — um leão colorido dividido em peças de quebra-cabeça, representando a integração, a inclusão e a beleza das diferenças.
Não é apenas um espaço de combate. É um lugar onde o jiu-jitsu deixa de ser apenas técnica e passa a ser transformação.
Ademir Ramos Dias prova que a paternidade atípica, longe de ser uma limitação, pode ser o combustível para impactar comunidades inteiras. Seu trabalho em Tubarão ressignifica o que é possível fazer quando a necessidade pessoal encontra generosidade, criatividade e 13 anos de dedicação a uma arte marcial. Com o lançamento de Jiu-Jitsu Integrativo, a mensagem é clara: inclusão não é concessão — é evolução.


















